© 2021 Condor, All Rights Reserved

Paralisia do Sono

O que é paralisia do sono e quais são suas consequências

Segundo dados do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, nada menos do que dois milhões de pessoas sofrem, aqui no Brasil, de um distúrbio do sono conhecido como paralisia do sono. Este distúrbio, que não tem cura, pode ser realmente assustador, por conta dos seus efeitos, que se caracterizam pela incapacidade temporária de se mover e a possibilidade de sofrer alucinações na passagem do sono para a vigília, ou vice-versa.

Se no Brasil em torno de 1% da nossa população é acometida por ela, na Inglaterra essa porcentagem é bem mais significativa, e pode chegar a 6% da população, segundo estatísticas oficiais de lá. Mas o que é paralisia do sono e quais são as suas consequências? Como ela acontece, o que a explica e como e quando devemos procurar tratamento médico especializado? Solicitamos aos nossos especialistas a produção deste conteúdo para que você saiba tudo sobre o que é paralisia do sono e quais são as suas consequências. Boa leitura!

O que é paralisia do sono?

A paralisia do sono é um distúrbio do sono que pode acontecer com qualquer um, que se caracteriza por um episódio, durante a transição entre o sono e a vigília, quando a pessoa acometida fica temporariamente impossibilitada de se mexer ou falar. A pessoa fica em um estado de desconexão temporário, com descontinuidade de funções motoras, perceptivas, emocionais ou cognitivas.

Quando acometida pela paralisa do sono, a pessoa está quase dormindo ou, ao contrário, acordando, mas, de repente, simplesmente não consegue realizar um movimento voluntário ou falar algo. Em geral, pode sentir uma dor no peito, como um apressão momentânea, e, ainda, sofrer alucinações.

Muitas pessoas que já tiveram algum episódio de paralisia do sono relatam que a sensação é de ter um pesadelo, mas acordada. É importante destacar que esse distúrbio do sono pode ser bem traumático, e na maior parte das vezes é mesmo assustador.

Em geral, um episódio de paralisia do sono pode durar em torno de dois minutos, em média, mas pode chegar, em alguns casos, a longos dez minutos.

Classificação dos episódios da paralisia do sono

A paralisia e as alucinações típicas da paralisia do sono assustam mesmo, muitas vezes criando um clima de terror para a pessoa acometida. Estes episódios são classificados por três diferentes tipos. São eles:

• Intruso: traz medo e a sensação de que há um estranho no quarto. Pessoas acometidas relatam a sensação de uma presença maligna, com alucinações visuais e auditivas também. Por conta disso, há uma série de lendas que tentam explicar a paralisia do sono, mas isso nada tem a ver com a realidade.

• Experiência corporal incomum: esse também é um tipo comum, quando a pessoa acometida tem a plena sensação de flutuar, saindo do corpo e vendo-o na cama, como se estivesse acima dele. Há, muitas vezes, ilusão de movimento.

• Incubus: é o tipo mais brando, com sensação de pressão no peito e falta de ar. Mas também assusta bastante, e muitas pessoas relatam que acreditavam viver um episódio cardíaco ao invés de um episódio de paralisia do sono.

Efeitos da paralisia do sono

É muito comum que pessoas acometidas pela paralisia do sono sintam uma ansiedade aguda e até mesmo medo do sono. Os principais efeitos da paralisia do sono são:

• Diminuição da qualidade de sono

• Insônia

• Cansaço

• Sonolência diurna

• Falta de concentração e memória

• Piora no desempenho escolar ou laboral

• Desmotivação

• Isolamento e até afastamento do grupo social

Como se explica a paralisia do sono?

A paralisia do sono é um distúrbio muito comum, mas ainda é pouco estudado e suas causas não foram plenamente esclarecidas pelos cientistas. Acredita-se que a falta de sincronia entre mudanças na atividade cerebral e a atonia muscular na fase REM do sono (Rapid Eye Moviment, em português, movimento rápido dos olhos – fase esta onde acontecem os sonhos) seja a responsável pela paralisia temporária que vivemos ao longo de um episódio deste distúrbio do sono.

Os cientistas investigam associações da paralisia do sono com o uso de substâncias, estresse e trauma, influências genéticas, crenças anômalas, problemas e distúrbios de sono e transtornos psiquiátricos. Estudos britânicos apontam que o transtorno de estresse pós-traumático parece ser o fator de risco mais comum, seguido do transtorno do pânico.

Por que a paralisia do sono acontece?

A crendice popular tem a sua própria versão para explicar porque a paralisia do sono acontece. O distúrbio nada mais seria senão consequência da ação da Velha Pisadeira, um antigo mito brasileiro sobre uma velha bruxa rabugenta, de aparência horrorosa, que viveria sobre os telhados das casas, pronta para atacar as suas vítimas na hora do sono.

A Velha Pisadeira atacaria a pessoa que come demais antes de dormir, pisando sobre o seu peito e deixando-a momentaneamente sem ar. E mais: a vítima tem total consciência quando é atacada, mas não consegue mover um dedo sequer para se defender da velha Pisadeira. Essa é uma lenda urbana muito comum, principalmente nos estados de Minas Geais e São Paulo, e muita gente acredita que esta é a explicação para a paralisia do sono. Há outros mitos, inclusive envolvendo abduções e extraterrestres.

Crendices à parte, a ciência explica este distúrbio do sono. O que realmente acontece é que os nossos movimentos musculares voluntários são inibidos na passagem do estado de sono para a vigília, ou vice-versa. Durante o episódio da paralisia do sono, no entanto, os nossos movimentos oculares e respiratórios não são alterados e, por isso, nossa percepção do ambiente é clara e imediata.

A ciência também procura entender como acontecem as possíveis alucinações provocadas pelo distúrbio. Estudos neurológicos associam as alucinações a um movimento abrupto de entrada e saída da fase REM do sono. Os sonhos e as alucinações são formados por eventos visuais vívidos e extremamente emocionais. Nesta fase, o corpo permanece paralisado, com exceção, claro, dos órgãos vitais e, ainda, genitais.

Especialistas apontam que o distúrbio pode estar bastante relacionado com doenças como narcolepsia (sonolência em excesso), hipertensão arterial, depressão e ansiedade. Dormir com a barriga para baixo também é apontado como uma possível causa. Períodos de intenso estresse e, ainda, a privação do sono também podem contribuir para que aconteçam episódios de paralisia do sono.

Outras possíveis causas de episódios de paralisia do sono

• Sono irregular;

• privação constante do sono;

• Mudanças repentinas no ambiente ou na vida de alguém;

• Um sonho lúcido que precede o episódio;

• Um sono induzido por meio de alguns medicamentos;

• Extremo cansaço;

• Transtorno bipolar;

• Cãibras noturnas;

• Uso excessivo de drogas; • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas

Quem pode ter paralisia do sono?

Não há, na literatura sobre o assunto, nenhuma relação da paralisia do sono com idade e sexo, embora alguns estudos individuais apontam para uma maior prevalência em mulheres. Na verdade, absolutamente qualquer pessoa pode sofrer um episódio ou mais de paralisia do sono, inclusive crianças pequenas.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, realizaram um amplo estudo sobre nada menos do que 35 trabalhos de reconhecidos cientistas sobre o assunto, publicados em revistas científicas nos últimos 50 anos, com a participação de um total de 36.533 pessoas. Desse total, 20% afirmaram já ter tido ao menos um episódio de paralisia do sono.

Segundo o estudo dos cientistas da Universidade da Pensilvânia, intitulado “Sleep Medicine Reviews”, entre pacientes psiquiátricos entrevistados, 32% responderam que já tinham tido ao menos um episódio do distúrbio, e entre estudantes de psiquiatria essa porcentagem foi de 28%, ambos bem acima dos 20% dos demais entrevistados. Os pesquisadores chegaram a conclusão, então, de que a paralisia do sono pode ser mais comum entre pacientes e estudantes de psiquiatria.

O tratamento da paralisia do sono

A paralisia do sono pode ser, de fato, um distúrbio do sono assustador, mas os especialistas garantem que não há com o que se preocupar diante de episódios eventuais. Depois de alguns poucos minutos após o despertar completo, tudo volta ao normal, sem sequelas.

Os especialistas a consideram como uma doença a tratar quando é recorrente. Estabeleceu-se que deve ser passível de tratamento médico quando acontecem ao menos dois episódios dentro de um período de seis meses ou quando está associada a uma forte carga emocional. Assim, quem tem episódios mais frequentes de paralisa do sono e acaba ficando com medo de ir dormir precisa se consultar com um especialista.

Naturalmente que é importante entender a verdadeira causa para que o paciente tenha episódios de paralisia do sono, para um melhor tratamento. O médico assistente investigará doenças associadas a este distúrbio do sono e poderá, por exemplo, receitar medicamentos específicos para diminuir a fase REM do sono, por  exemplo. Pode ser recomendadas sessões de psicoterapia, para casos de muita ansiedade ou depressão, incluindo, aí, a possibilidade de uso de medicamentos receitados por um psiquiatra.

Relação da paralisia do sono como a apneia do sono

A apneia do sono é um distúrbio do sono que acomete nada menos do que 69% da população brasileira, segundo dados do Instituto do Sono, de São Paulo. Conhecida como apneia obstrutiva do sono (AOS), provoca uma breve interrupção durante o sono, e isso pode se repetir até mesmo centenas de vezes em uma mesma noite.

Especialistas dizem que aqueles que têm apneia obstrutiva do sono têm uma tendência maior de desenvolver um episódio de paralisia do sono. Isso pode acontecer porque os hábitos do sono e funções fisiológicas são basicamente os mesmos, podendo ser desregulados e isso pode prejudicar o momento de ir dormir.

Seu médico poderá solicitar uma actigrafia

É necessário o acompanhamento longitudinal dos pacientes que sofrem de paralisia do sono para se obter respostas para as possíveis causas dos sintomas. Uma forma de acompanhar, muito solicitada por médicos que assistem pacientes com distúrbios do sono, entre os quais a paralisia do sono, é a actigrafia, realizada por meio do actígrafo, um aparelho que na maior parte dos modelos se parece muito com um relógio de pulso.

A actigrafia, também conhecida como actimetria, tem o objetivo de acompanhar os ciclos de atividade e de repouso, captando, compilando e processando informações relevantes para o estudo do ritmo do sono e da vigília. O actígrafo é uma tecnologia de ponta que dá todo o suporte para a pesquisa do médico assistente, e os modelos mais modernos contam, também, como sensores de temperatura e luminosidade, entre outros, oferecendo uma análise ainda mais profunda.

O paciente deve utilizar o actígrafo preso no pulso do seu braço não dominante. Ou seja, quem é destro deve utilizá-lo no braço esquerdo, e vice-versa. Durante o seu uso, o aparelho colhe e compila toda a movimentação do paciente por meio de acelerômetros. Ao final do exame, o médico assistente tem informações extremamente relevantes, que ajudarão a estabelecer o diagnóstico e o melhor tratamento para ele.

O actígrafo detecta distúrbios do sono e de ritmo circadiano, avalia a qualidade do sono, o tempo que a pessoa permanece na cama e episódios de sono ao longo do dia. É um exame não invasivo, absolutamente indolor e é muito solicitado por médicos do sono, psiquiatras, médicos do trabalho, psicólogos comportamentais e outros profissionais que estudam distúrbios do sono e do ritmo circadiano.

Conclusão

Um episódio de paralisia do sono não é uma doença, mas sim um sintoma. Esse distúrbio só deve ser tratado como uma doença se acontecer de forma sistemática, ao menos duas vezes a cada seis meses. O médico assistente buscará descobrir a causa, para tratá-la.

Médicos do sono, neurologistas e psiquiatras são os mais indicados para assistirem pessoas acometidas por este distúrbio. O simples relato a pessoa acometida é o suficiente para classificar o distúrbio. Uma actigrafia poderá ser solicitada para um estudo mais profundo e analítico do sono do paciente.

Os médicos garantem que a paralisia do sono não produz nenhum dano à saúde física, mas pode trazer consequências negativas, como muita ansiedade e até depressão. Assim, um médico deve ser procurado se os episódios se repetirem e provocarem, por exemplo, medo de ir dormir.

https://www.condorinst.com.br/

pt_BR

Deixe seu dados que entraremos em contato