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Profissionais – Medicina do Sono

Quem são os profissionais da Medicina do Sono?

A ciência do sono conta com profissionais de diversas áreas, unidos pelo intuito de aumentar a qualidade de vida dos pacientes que sofrem com distúrbios do sono. Para tal, eles se baseiam nas habilidades específicas de seus objetos de estudo. Neste artigo abordamos quais são as especialidades, dentro e fora da Medicina, que contribuem para essa ciência tão relevante para a saúde humana – a Medicina do Sono. Saiba mais a seguir.

Breve história da Medicina do Sono

O sono é descrito na literatura desde Hipócrates (460 a.C.). No entanto, a Medicina do Sono é uma ciência relativamente recente. A abordagem científica do sono começa em 1830, com as primeiras descrições de casos de narcolepsia.

O primeiro centro focado no estudo do sono foi criado em 1970, em Stanford, nos EUA, para tratar pacientes narcolépticos. A partir de então surgiram milhares de centros de estudo dedicados ao sono em todo o mundo.

Em 1990, a especialidade se globalizou devido à elaboração da Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono (ICSD – International Classification of Sleep Disorders), que conta com a contribuição de médicos do mundo inteiro para a discussão de estudos e descobertas relacionadas a mais de 80 distúrbios do sono descritos na literatura médica.

Assim, em pouco mais de duas décadas, surge uma especialidade interdisciplinar cujo objetivo é o aumento da qualidade de vida por meio da promoção da qualidade do sono.

Necessidade biológica básica e essencial, o sono é um dos pilares do desenvolvimento físico e das funções mentais humanas. Sua privação provoca alterações no ritmo biológico e ocasiona incontáveis problemas, como perda da memória, irritabilidade, fadiga, alteração do humor, manifestações psicopatológicas, entre outros. Por isso, quando há alteração no sono, as causas devem ser imediatamente investigadas. Esse é o propósito da Medicina do Sono.

Os distúrbios do sono requerem análises de profissionais de diversas áreas, dando enfoque interdisciplinar ao buscar a escolha de tratamento que melhor se adapta a cada paciente. Em razão disso, a Medicina do Sono já nasceu multidisciplinar, visto que seu objeto só pode ser entendido a partir de múltiplas perspectivas.

A área envolve pneumologistas, neurologistas, otorrinolaringologistas, cirurgiões, fisioterapeutas, dentistas, entre outras várias especialidades que veremos abaixo.

Os distúrbios do sono

Os distúrbios do sono consistem em alterações no ritmo e qualidade do sono, seja por alterações cerebrais, respiratórias, anatômicas ou por transtornos do movimento.

Atualmente, para agrupar os distúrbios do sono, utiliza-se a 3.ª edição da Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono (ICSD-3), que os reúne nas seguintes categorias:

  • transtornos de insônia;
  • transtornos respiratórios relacionados ao sono (apneia obstrutiva do sono, roncos);
  • transtornos de hipersonolência central (narcolepsia, hipersonia);
  • transtorno do ritmo circadiano de sono-vigília (atraso e avanço das fases do sono, sono-vigília irregular);
  • parassonias (sonambulismo, parassonias do sono NREM, terror noturno, pesadelos);
  • transtornos do movimento relacionado ao sono (síndrome das pernas inquietas, bruxismo); e
  • outros transtornos e condições médicas e neurológicas relacionadas ao sono.

Quem são os profissionais da Medicina do Sono?

Cada uma das patologias relacionadas ao sono se deve a uma conjunção de fatores relativos à respiração, formato facial, estado psicológico, entre outros. Por esse motivo, trata-se de uma área interdisciplinar e conta com diversos profissionais que atuam no manejo desses pacientes.

No Brasil, a Medicina do Sono está muito bem estruturada. Na área médica, após a formação primária e a residência, o profissional que optar pela área passa por uma especialização em Medicina do Sono, cujo acesso é possibilitado por meio da Pneumologia, Neurologia, Psiquiatria, Cardiologia, Pediatria e Otorrinolaringologia.

Profissionais de outras formações, como psicólogos, fisioterapeutas, odontologistas e fonoaudiólogos, também contribuem para a Medicina do Sono e atuam com os médicos no tratamento dos distúrbios do sono. A seguir, veremos como cada uma dessas especialidades e formações contribuem para a Medicina do Sono.

Pneumologia

A maioria dos distúrbios do sono se classifica como distúrbio respiratório do sono. A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é uma das queixas mais comuns entre esses transtornos e se caracteriza por eventos recorrentes de obstrução das vias aéreas superiores, que pode ser parcial (hipopneia) ou completa (apneia).

A interrupção do ar nos pulmões resulta em queda do oxigênio e aumento do gás carbônico no sangue. Por se relacionarem diretamente com o funcionamento pulmonar e respiratório, os pneumologistas são essenciais no manejo de pacientes com esses sintomas.

Esses profissionais avaliam a capacidade pulmonar e as vias aéreas, solicitam exames complementares (como a polissonografia) e encaminham o paciente para o tratamento adequado, tendo em vista a situação respiratória do paciente.

Neurologia

Todos os transtornos do sono podem provocar, a longo prazo, uma diminuição da concentração e da memória. As consequências degenerativas da má qualidade do sono são objeto de estudo da Neurologia, que avalia de que maneira a falta ou o excesso de sono podem interferir no funcionamento adequado das capacidades cerebrais.

Além disso, nos últimos anos se estuda uma curiosa correspondência entre os distúrbios do sono e doenças degenerativas. As evidências de estudos preliminares sugerem que distúrbios do ritmo circadiano, além de serem um sintoma de neurodegeneração, também podem ser um fator de risco potencial para o desenvolvimento da doença de Parkinson, da doença de Alzheimer e de demências relacionadas.

Por essa associação, a Neurologia é de central importância na condução de pacientes com essas comorbidades, já que o médico especialista em Neurologia será capaz de avaliar, a partir de exames específicos, a relação do funcionamento do cérebro do paciente com a qualidade do sono.

Assim, o tratamento especializado pode abranger não somente sintomas relacionados ao sono, mas também causas e consequências neurológicas do paciente.

Psiquiatria

A identificação de padrões alterados de sono é notável na maioria dos transtornos psiquiátricos. Entre os pacientes psiquiátricos, 40% relatam insônia, e 46% dos pacientes com hipersônia preenchem os critérios para o diagnóstico de transtornos psiquiátricos.

Cerca de 80% dos pacientes com depressão se queixam de mudanças nos padrões de sono. A insônia inicial é frequente nos casos de sintomas ansiosos e maníacos associados. Além disso, muitos medicamentos psiquiátricos também são responsáveis por alterações no ritmo circadiano.

Por essa razão,o psiquiatra é um dos profissionais responsáveis por tratar distúrbios de insônia, hipersonia e terror noturno, examinando o histórico médico do paciente e condições prévias que são fatores de risco para esses desajustes, além de avaliar o uso de medicamentos psiquiátricos que podem interferir nos padrões do sono do paciente.

Cardiologia

Pacientes com doenças cardiovasculares têm alta prevalência de transtornos do sono. Em sentido oposto, a insônia e a apneia obstrutiva do sono, além de causarem sintomas como cansaço e sonolência excessiva diurna, também são fatores de risco, principalmente se associados à hipertensão arterial sistêmica ou diabetes mellitus, para problemas como pressão alta, colesterol elevado e arritmias.

Assim, na Medicina do Sono a Cardiologia é a especialidade que avalia as consequências cardiovasculares da baixa qualidade do sono. Se o paciente apresenta fatores de risco relacionados à saúde cardíaca, deve passar por uma avaliação com o cardiologista de modo a analisar as opções de tratamento considerando as especificidades do paciente.

Pediatria

Os distúrbios do sono são muito prevalentes na faixa etária pediátrica. Há uma alta incidência de transtornos como o sonambulismo, o terror noturno e pesadelos nos pacientes pediátricos. Estima-se que 30% das crianças apresentam alguma alteração do sono, sendo essa prevalência ainda mais elevada entre crianças com comorbidades neuropsiquiátricas.

Além disso, distúrbios do sono também elevam o risco do surgimento de uma série de alterações metabólicas e comportamentais nessa faixa etária, podendo levar a déficits de atenção, distúrbios do humor, aumento de peso e até alterações do neurodesenvolvimento.

Assim, o médico pediatra tem papel fundamental na orientação sobre hábitos de sono, assim como no reconhecimento, suspeição e manejo dos possíveis distúrbios, pois é preciso ser capaz de analisar a rotina e os detalhes do ambiente familiar relacionados ao sono da criança, além de realizar um exame clínico que considere as especificidades do ritmo circadiano infantil e os aspectos do desenvolvimento infantil no sono.

Otorrinolaringologia

Essa especialidade tem um papel fundamental no tratamento de distúrbios do sono ligados à respiração. Os transtornos respiratórios relacionados ao sono, como o ronco e a apneia obstrutiva do sono, são causados pela obstrução das vias aéreas, justamente o objeto de estudo da otorrinolaringologia.

Por isso, o médico especialista em otorrinolaringologia é o profissional responsável pelo diagnóstico e acompanhamento de muitos pacientes com queixas de transtornos obstrutivos das vias respiratórias, sabendo avaliar se os problemas em questão possuem indicação cirúrgica ou se respondem melhor a tratamentos conservadores, como o uso de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP – continuous positive airway pressure) ou aparelhos intraorais.

Cirurgias nasais e faríngeas, bem como a de avanço mandibular e na base da língua, podem resolver essa categoria de problema. No caso de haver a necessidade de cirurgia, o otorrinolaringologista é quem executa esse tipo de intervenção.

Além da investigação médica, os transtornos do sono exigem tratamentos diversos que envolvem desde a estrutura maxilar até fatores como a posição da língua e comorbidades relacionadas, por exemplo, transtornos do humor. Veremos, a seguir, quais são as outras áreas do conhecimento que trabalham no manejo de pacientes com distúrbios do sono.

Psicologia

Os psicólogos são grandes aliados no tratamento da insônia, terror noturno e pesadelos. Aliada às intervenções médicas, a psicologia tem papel fundamental no manejo de pacientes que sofrem sintomas do ritmo circadiano, pois por meio da terapia cognitivo-comportamental (TCC), técnicas de relaxamento e higiene do sono, muitas vezes pode reverter as manifestações psicológicas relacionadas a ansiedade e transtornos psiquiátricos.

Para a insônia, por exemplo, a terapia cognitivo-comportamental é atualmente o tratamento mais indicado em associação com a terapia farmacológica. A TCC consiste em ajudar o paciente a reestruturar seus pensamentos e modificar hábitos inadequados em relação ao sono. Muitas vezes, a técnica pode reduzir ou suprimir a necessidade de intervenções medicamentosas no paciente.

Fisioterapia

O fisioterapeuta atua de diversas maneiras na área do sono, tanto na prática clínica quanto na pesquisa. Ele se encarrega da identificação e do tratamento dos distúrbios não respiratórios (insônia e pernas inquietas) e respiratórios. A mais conhecida abordagem da fisioterapia na Medicina do Sono diz respeito ao tratamento da apneia obstrutiva do sono.

A partir do conhecimento das fisiopatologias do sistema respiratório, o fisioterapeuta é o profissional mais indicado para acompanhar o tratamento com equipamentos de ventilação por CPAP, orientando e adaptando o paciente ao longo dessa terapia.

Além disso, o fisioterapeuta com especialização em Medicina do Sono está apto para executar e ler exames como a polissonografia e a poligrafia.

Odontologia

Entre as fisiopatologias mais comuns em distúrbios do sono, estão os transtornos respiratórios, como o ronco e a apneia.

A avaliação crânio-maxilo-facial do paciente é fundamental para o encaminhamento ao tratamento mais adequado para esses distúrbios, pois proporciona a identificação de alterações dentofaciais, muito prevalentes em pacientes com apneia obstrutiva do sono.

Os odontologistas podem optar por tratamentos de ortodontia, ortopedia facial, cirurgias esqueléticas ou confeccionar dispositivos intraorais que visam melhorar as condições respiratórias do paciente durante o sono.

Além disso, o odontologista é o profissional indicado para o tratamento do bruxismo, avaliando a necessidade de confecção de placas oclusais temporárias, aplicação de medicações específicas para o tratamento do bruxismo e outros tratamentos.

Fonoaudiologia

A relação entre as alterações das estruturas e as funções do sistema estomatognático nos indivíduos com transtornos respiratórios do sono é muito conhecida pelos fonoaudiólogos.

Estes profissionais são responsáveis por identificar alterações de motricidade facial, frequentes em crianças respiradoras orais e adultos com apneia obstrutiva do sono, e realizar um trabalho de adequação muscular e funcional da respiração com a finalidade de aumentar o espaço na faringe e diminuir a obstrução da passagem do ar.

Os exercícios fonoaudiológicos são capazes de diminuir a frequência do ronco em 36% e a sua intensidade em até 59%, reduzir o índice de despertares e promover o aumento da força da língua.

Medicina do Sono: uma ciência integrativa

Como vimos, a integração de diversas especialidades é fundamental para a Medicina do Sono, já que os distúrbios ligados a ela não raro são causa ou consequência de outras patologias estudadas por essas áreas específicas.

Em conjunto, profissionais de diferentes áreas atuam na prevenção, diagnóstico e tratamento dos pacientes e fazem a diferença na promoção da melhoria da qualidade de vida de pessoas de todo o mundo que sofrem com a má qualidade do sono.

A cada dia, a ciência avança na elaboração de novos tratamentos para esses distúrbios, e isso se dá graças à conjunção de perspectivas nos estudos do sono. Os equipamentos tecnológicos dos quais dispomos hoje existem devido à união dessas áreas. Assim, hoje é possível entender cada vez mais profundamente esse mistério da natureza – o sono.

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